As coisas correm bem porque acreditamos e fazemos com que os outros acreditem que podem correr bem.
Às vezes as coisas só não acontecem porque não acreditamos que podem acontecer.
Nuno Garção
Um espaço onde vou colocando o que me vai surgindo entre a caneta e o papel.
A Racionalidade Irracional
"Eu digo muitas vezes que o instinto serve melhor os animais do que a razão a nossa espécie. E o instinto serve melhor os animais porque é conservador, defende a vida. Se um animal come outro, come-o porque tem de comer, porque tem de viver; mas quando assistimos a cenas de lutas terríveis entre animais, o leão que persegue a gazela e que a morde e que a mata e que a devora, parece que o nosso coração sensível dirá «que coisa tão cruel». Não: quem se comporta com crueldade é o homem, não é o animal, aquilo não é crueldade; o animal não tortura, é o homem que tortura. Então o que eu critico é o comportamento do ser humano, um ser dotado de razão, razão disciplinadora, organizadora, mantenedora da vida, que deveria sê-lo e que não o é; o que eu critico é a facilidade com que o ser humano se corrompe, com que se torna maligno.
Aquela ideia que temos da esperança nas crianças, nos meninos e nas meninas pequenas, a ideia de que são seres aparentemente maravilhosos, de olhares puros, relativamente a essa ideia eu digo: pois sim, é tudo muito bonito, são de facto muito simpáticos, são adoráveis, mas deixemos que cresçam para sabermos quem realmente são. E quando crescem, sabemos que infelizmente muitas dessas inocentes crianças vão modificar-se. E por culpa de quê? É a sociedade a única responsável? Há questões de ordem hereditária? O que é que se passa dentro da cabeça das pessoas para serem uma coisa e passarem a ser outra?
Uma sociedade que instituiu, como valores a perseguir, esses que nós sabemos, o lucro, o êxito, o triunfo sobre o outro e todas estas coisas, essa sociedade coloca as pessoas numa situação em que acabam por pensar (se é que o dizem e não se limitam a agir) que todos os meios são bons para se alcançar aquilo que se quer.
Falámos muito ao longo destes últimos anos (e felizmente continuamos a falar) dos direitos humanos; simplesmente deixámos de falar de uma coisa muito simples, que são os deveres humanos, que são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro, essa espécie de desprezo do outro, que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional. Isso, de facto, não posso entender, é uma das minhas grandes angústias."
José Saramago (Diálogos com José Saramago)
Aquela ideia que temos da esperança nas crianças, nos meninos e nas meninas pequenas, a ideia de que são seres aparentemente maravilhosos, de olhares puros, relativamente a essa ideia eu digo: pois sim, é tudo muito bonito, são de facto muito simpáticos, são adoráveis, mas deixemos que cresçam para sabermos quem realmente são. E quando crescem, sabemos que infelizmente muitas dessas inocentes crianças vão modificar-se. E por culpa de quê? É a sociedade a única responsável? Há questões de ordem hereditária? O que é que se passa dentro da cabeça das pessoas para serem uma coisa e passarem a ser outra?
Uma sociedade que instituiu, como valores a perseguir, esses que nós sabemos, o lucro, o êxito, o triunfo sobre o outro e todas estas coisas, essa sociedade coloca as pessoas numa situação em que acabam por pensar (se é que o dizem e não se limitam a agir) que todos os meios são bons para se alcançar aquilo que se quer.
Falámos muito ao longo destes últimos anos (e felizmente continuamos a falar) dos direitos humanos; simplesmente deixámos de falar de uma coisa muito simples, que são os deveres humanos, que são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro, essa espécie de desprezo do outro, que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional. Isso, de facto, não posso entender, é uma das minhas grandes angústias."
José Saramago (Diálogos com José Saramago)
Some lives are linked across time
"Some lives are linked across time... They are connected by an ancient calling that echoes throught the ages... Destiny."
.
Prince of Persia: The Forgotten Sands
Prince of Persia: The Forgotten Sands
.
Além desta frase muito interessante não posso deixar de salientar a interessante mensagem que o filme passa sobre a importância da família (confiança) e o destino iluminado pelo instinto do coração.
Em Portalegre, cidade do Alto Alentejo...
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
Morei numa casa velha,
Velha, grande, tosca e bela,
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela...
Cheia de bons e maus cheiros
De casas que têm história,
Cheia de ténue, mas viva, obsidiante memória,
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncio e de espantos,
- Quis-lhe bem, como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como ao do meu aconchego.
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De montes e de oliveiras,
Do vento soão queimada,
(Lá vem o vento soão!,
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão...)
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
Na tal casa tosca e bela
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela,
Tinha então,
Por única diversão,
Uma pequena varanda
Diante duma janela.
Toda aberta ao sol que abrasa,
Ao frio que tolhe, gela,
E ao vento que anda, desanda,
E sarabanda e ciranda
De redor da minha casa,
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
Era uma bela varanda,
Naquela bela janela!
Serras deitadas nas nuvens,
Vagas e azuis da distância,
Azuis, cinzentas, lilases,
Já roxas quando mais perto,
Campos verdes e Amarelos,
Salpicados de Oliveiras,
E que o frio, ao vir, despia,
Rasava, unia
Num mesmo ar de deserto
Ou de longínquas geleiras,
Céus que lá em cima, estrelados,
Boiando em lua, ou fechados
Nos seus turbilhões de trevas,
Pareciam engolir-me
Quando, fitando-os suspenso
Daquele silêncio imenso,
Sentia o chão a fugir-me,
- Se abriam diante dela
Daquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Na casa em que morei, velha,
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
À qual quis como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como as do meu aconchego...
Ora agora,
?Que havia o vento suão
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão,
Que havia o vento suão
De se lembrar de fazer?
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
?Que havia o vento suão
De fazer,
Senão trazer
Àquela
Minha
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
O documento maior
De que Deus
É protector
Dos seus
Que mais faz sofrer?
Lá num craveiro, que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Poisou qualquer sementinha
Que o vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Achara no ar perdida,
Errando entre terra e céus...,
E, louvado seja Deus!,
Eis que uma folha miudinha
Rompeu, cresceu, recortada,
Furando a cepa cansada
Que dava cravos sem vida
Naquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tosca e bela
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela...
?Como é que o vento suão
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão,
Me trouxe a mim que, dizia,
Em Portalegre sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
Me trouxe a mim essa esmola,
Esse pedido de paz
Dum Deus que fere ... e consola
Com o próprio mal que faz?
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for
Me davam então tal vida
Em Portalegre; cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
Me davam então tal vida
- Não vivida!, sim morrida
No tédio e no desespero,
No espanto e na solidão,
Que a corda dos derradeiros
Desejos dos desgraçados
Por noites do tal suão
Já varias vezes tentara
Meus dedos verdes suados...
Senão quando o amor de Deus
Ao vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Confia uma sementinha
Perdida entre terra e céus,
E o vento a trás à varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tôsca e bela
À qual quis como se fôra
Feita para eu morar nela!
Lá no craveiro que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Nasceu essa acàciazinha
Que depois foi transplantada
E cresceu; dom do meu Deus!,
Aos pés lá da estranha casa
Do largo do cemitério,
Frente aos ciprestes que em frente
Mostram os céus,
Como dedos apontados
De gigantes enterrados...
Quem desespera dos homens,
Se a alma lhe não secou,
A tudo transfere a esperança
Que a humanidade frustrou:
E é capaz de amar as plantas,
De esperar nos animais,
De humanizar coisas brutas,
E ter criancices tais,
Tais e tantas!,
Que será bom ter pudor
De as contar seja a quem for!
O amor, a amizade, e quantos
Mais sonhos de oiro eu sonhara,
Bens deste mundo!, que o mundo
Me levara,
De tal maneira me tinham,
Ao fugir-me,
Deixando só, nulo, vácuos,
A mim que tanto esperava
Ser fiel,
E forte,
E firme,
Que não era mais que morte
A vida que então vivia,
Auto-cadáver...
E era então que sucedia
Que em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Aos pés lá da casa velha
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casa que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
- A minha acácia crescia.
Vento suão!, obrigado...
Pela doce companhia
Que em teu hálito empestado
Sem eu sonhar, me chegara!
E a cada raminho novo
Que a tenra acácia deitava,
Será loucura!..., mas era
Uma alegria
Na longa e negra apatia
Daquela miséria extrema
Em que vivia,
E vivera,
Como se fizera um poema,
Ou se um filho me nascera."
José Régio
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela...
Cheia de bons e maus cheiros
De casas que têm história,
Cheia de ténue, mas viva, obsidiante memória,
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncio e de espantos,
- Quis-lhe bem, como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como ao do meu aconchego.
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De montes e de oliveiras,
Do vento soão queimada,
(Lá vem o vento soão!,
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão...)
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
Na tal casa tosca e bela
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela,
Tinha então,
Por única diversão,
Uma pequena varanda
Diante duma janela.
Toda aberta ao sol que abrasa,
Ao frio que tolhe, gela,
E ao vento que anda, desanda,
E sarabanda e ciranda
De redor da minha casa,
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
Era uma bela varanda,
Naquela bela janela!
Serras deitadas nas nuvens,
Vagas e azuis da distância,
Azuis, cinzentas, lilases,
Já roxas quando mais perto,
Campos verdes e Amarelos,
Salpicados de Oliveiras,
E que o frio, ao vir, despia,
Rasava, unia
Num mesmo ar de deserto
Ou de longínquas geleiras,
Céus que lá em cima, estrelados,
Boiando em lua, ou fechados
Nos seus turbilhões de trevas,
Pareciam engolir-me
Quando, fitando-os suspenso
Daquele silêncio imenso,
Sentia o chão a fugir-me,
- Se abriam diante dela
Daquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Na casa em que morei, velha,
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
À qual quis como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como as do meu aconchego...
Ora agora,
?Que havia o vento suão
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão,
Que havia o vento suão
De se lembrar de fazer?
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
?Que havia o vento suão
De fazer,
Senão trazer
Àquela
Minha
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
O documento maior
De que Deus
É protector
Dos seus
Que mais faz sofrer?
Lá num craveiro, que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Poisou qualquer sementinha
Que o vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Achara no ar perdida,
Errando entre terra e céus...,
E, louvado seja Deus!,
Eis que uma folha miudinha
Rompeu, cresceu, recortada,
Furando a cepa cansada
Que dava cravos sem vida
Naquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tosca e bela
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela...
?Como é que o vento suão
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão,
Me trouxe a mim que, dizia,
Em Portalegre sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
Me trouxe a mim essa esmola,
Esse pedido de paz
Dum Deus que fere ... e consola
Com o próprio mal que faz?
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for
Me davam então tal vida
Em Portalegre; cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
Me davam então tal vida
- Não vivida!, sim morrida
No tédio e no desespero,
No espanto e na solidão,
Que a corda dos derradeiros
Desejos dos desgraçados
Por noites do tal suão
Já varias vezes tentara
Meus dedos verdes suados...
Senão quando o amor de Deus
Ao vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Confia uma sementinha
Perdida entre terra e céus,
E o vento a trás à varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tôsca e bela
À qual quis como se fôra
Feita para eu morar nela!
Lá no craveiro que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Nasceu essa acàciazinha
Que depois foi transplantada
E cresceu; dom do meu Deus!,
Aos pés lá da estranha casa
Do largo do cemitério,
Frente aos ciprestes que em frente
Mostram os céus,
Como dedos apontados
De gigantes enterrados...
Quem desespera dos homens,
Se a alma lhe não secou,
A tudo transfere a esperança
Que a humanidade frustrou:
E é capaz de amar as plantas,
De esperar nos animais,
De humanizar coisas brutas,
E ter criancices tais,
Tais e tantas!,
Que será bom ter pudor
De as contar seja a quem for!
O amor, a amizade, e quantos
Mais sonhos de oiro eu sonhara,
Bens deste mundo!, que o mundo
Me levara,
De tal maneira me tinham,
Ao fugir-me,
Deixando só, nulo, vácuos,
A mim que tanto esperava
Ser fiel,
E forte,
E firme,
Que não era mais que morte
A vida que então vivia,
Auto-cadáver...
E era então que sucedia
Que em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Aos pés lá da casa velha
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casa que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
- A minha acácia crescia.
Vento suão!, obrigado...
Pela doce companhia
Que em teu hálito empestado
Sem eu sonhar, me chegara!
E a cada raminho novo
Que a tenra acácia deitava,
Será loucura!..., mas era
Uma alegria
Na longa e negra apatia
Daquela miséria extrema
Em que vivia,
E vivera,
Como se fizera um poema,
Ou se um filho me nascera."
José Régio
O meu amor
E mão de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina.
O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito.
O meu amor ensinou-me a chegar,
Sedento de ternura.
Separou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.
O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste.
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe."
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina.
O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito.
O meu amor ensinou-me a chegar,
Sedento de ternura.
Separou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.
O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste.
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe."
Jorge Palma
Sabedoria da vida...
.
"A sabedoria da vida não consiste em fazer aquilo que se gosta, mas em gostar do que se faz."
Leonardo da Vinci
"A sabedoria da vida não consiste em fazer aquilo que se gosta, mas em gostar do que se faz."
Leonardo da Vinci
Olhares de Portimão
"Sinto vergonha de mim..."

"Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
actos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',
voltar atrás
e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo [deste mundo]!
'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'."
O silêncio dos bons... preocupa-me!
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons."
Martin Luther King
Recordando a minha aldeia: Carreiras
"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver."
Alberto Caeiro
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver."
Alberto Caeiro
Mais uma vez, sobre o estado das coisas...
Durante estas últimas semanas evitei ver as notícias, porque considero que as mesmas me têm provocado algum desânimo e mau estar. Ouço falar da economia, da economia, da crise, da crise, da crise, da educação, ou da falta dela, da pobreza e da riqueza na proporção inversa, da violência, da corrupção, da falta de vergonha...
Onde está a esperança?
Enfim, pergunto-me o que se está a passar à minha volta. E com este estado de coisas confesso que às vezes me apetece ser como a avestruz. É óbvio que não consigo fechar os olhos para viver a minha vida. A recente comemoração do 25 de Abril fez-me pensar que temos que dizer, cada dia e em voz bem alta, aquilo que pensamos sobre este estado de coisas, que deveriam envergonhar governantes e pessoas com cargos de responsabilidade.
Economia. As últimas notícias apontam para a especulação e a pressão que alguns "senhores" fazem sobre os países que acumulam um volume de dívida externa elevado. Fico mesmo sem saber se são estes senhores quem devo odiar pela especulação a que nos têm ultimamente habituado ou aqueles que irresponsavelmente nos vão colocando nesta situação de dependência.
Riqueza e pobreza. Afinal, como é possível que neste jogo continuemos a ver pessoas a enriquecer de forma escandalosa enquanto que a maioria vai ficando cada vez mais pobre, sem condições para viver e sujeitas aos caprichos de quem manipula os mercados. Afinal, não será esta uma nova ditadura em que tudo parece democracia, mas na realidade é algo controlado por um "big brother" que estuda os movimentos da sociedade, se alimenta com uma ganância desmedida e com o aval da classe política que gere sem preocupação e sem respeito o que é de todos nós? Triste figura de quem enriquece à custa daqueles que vão ficando sem emprego, sem possibilidade de dar uma vida digna aos filhos e de poder desfrutar deste mundo que também é seu. Triste figura de quem não consegue olhar para o lado e perceber que se trata de um semelhante... Estou certo que cada um de nós também tem alguma culpa neste estado de coisas: não é por acaso que há dois dias fiquei escandalizado pelo facto das três pessoas que estavam à minha frente numa caixa de uma loja de uma grande superfície efectuarem as suas compras pedindo créditos. Olhei com mais atenção e reparei que uma delas o fazia para comprar bens de primeira necessidade...
A desculpa da crise. Vejo mais algumas notícias e ouço falar em cortes, cortes na função pública e obviamente (por arrasto) nos trabalhadores do privado. Mais uma vez pergunto: Mas por que razão esses cortes são imputados aos que realmente trabalham? Não são eles que andam a pagar as sucessivas crises que nos atiram aos olhos? Mas por que razão não se corta nos ordenados escandalosos dos políticos e administradores? Alguns deles que nada fazem. Por que razão não se selecciona criteriosamente as pessoas que mexem no dinheiro dos contribuintes e com ele fazem contas de "sumir"? Por que razão os vários escândalos que vemos na televisão não levam os seus responsáveis à prisão e não fazem com que o dinheiro "sumido" volte à sua origem? Será que têm que ser os trabalhadores, aqueles que realmente põem este país e o mundo a funcionar, a pagar a factura dos que se passeiam nos "porches" e "ferraris" a caminho das suas mansões?
Educação ou falta dela. Diariamente olho para o meu mundo, para o meu trabalho, e vejo como as políticas educativas são pensadas. O importante é gastar menos, mesmo que em causa possa estar a formação futura dos jovens. Fico desanimado ao ver a crescente onda de indisciplina e nada é feito para travar tal facto. Fico abismado com o discurso de que tudo é normal. E tudo é passível de ser exigido aos professores que trabalham cada vez mais, com menos condições e mais desiludidos.
Não, nada disto é normal e benéfico para uma sociedade! Se queremos um sociedade mais justa, mais igualitária, mais harmoniosa, mais interessante, mais estável, temos que apostar seriamente na educação sem olhar a custos.
Só assim conseguiremos formar aqueles que no futuro deverão saber decidir e gerir um estado de coisas que espero ser bastante melhor do que aquele que temos agora.
Nuno Garção
Onde está a esperança?
Enfim, pergunto-me o que se está a passar à minha volta. E com este estado de coisas confesso que às vezes me apetece ser como a avestruz. É óbvio que não consigo fechar os olhos para viver a minha vida. A recente comemoração do 25 de Abril fez-me pensar que temos que dizer, cada dia e em voz bem alta, aquilo que pensamos sobre este estado de coisas, que deveriam envergonhar governantes e pessoas com cargos de responsabilidade.
Economia. As últimas notícias apontam para a especulação e a pressão que alguns "senhores" fazem sobre os países que acumulam um volume de dívida externa elevado. Fico mesmo sem saber se são estes senhores quem devo odiar pela especulação a que nos têm ultimamente habituado ou aqueles que irresponsavelmente nos vão colocando nesta situação de dependência.
Riqueza e pobreza. Afinal, como é possível que neste jogo continuemos a ver pessoas a enriquecer de forma escandalosa enquanto que a maioria vai ficando cada vez mais pobre, sem condições para viver e sujeitas aos caprichos de quem manipula os mercados. Afinal, não será esta uma nova ditadura em que tudo parece democracia, mas na realidade é algo controlado por um "big brother" que estuda os movimentos da sociedade, se alimenta com uma ganância desmedida e com o aval da classe política que gere sem preocupação e sem respeito o que é de todos nós? Triste figura de quem enriquece à custa daqueles que vão ficando sem emprego, sem possibilidade de dar uma vida digna aos filhos e de poder desfrutar deste mundo que também é seu. Triste figura de quem não consegue olhar para o lado e perceber que se trata de um semelhante... Estou certo que cada um de nós também tem alguma culpa neste estado de coisas: não é por acaso que há dois dias fiquei escandalizado pelo facto das três pessoas que estavam à minha frente numa caixa de uma loja de uma grande superfície efectuarem as suas compras pedindo créditos. Olhei com mais atenção e reparei que uma delas o fazia para comprar bens de primeira necessidade...
A desculpa da crise. Vejo mais algumas notícias e ouço falar em cortes, cortes na função pública e obviamente (por arrasto) nos trabalhadores do privado. Mais uma vez pergunto: Mas por que razão esses cortes são imputados aos que realmente trabalham? Não são eles que andam a pagar as sucessivas crises que nos atiram aos olhos? Mas por que razão não se corta nos ordenados escandalosos dos políticos e administradores? Alguns deles que nada fazem. Por que razão não se selecciona criteriosamente as pessoas que mexem no dinheiro dos contribuintes e com ele fazem contas de "sumir"? Por que razão os vários escândalos que vemos na televisão não levam os seus responsáveis à prisão e não fazem com que o dinheiro "sumido" volte à sua origem? Será que têm que ser os trabalhadores, aqueles que realmente põem este país e o mundo a funcionar, a pagar a factura dos que se passeiam nos "porches" e "ferraris" a caminho das suas mansões?
Educação ou falta dela. Diariamente olho para o meu mundo, para o meu trabalho, e vejo como as políticas educativas são pensadas. O importante é gastar menos, mesmo que em causa possa estar a formação futura dos jovens. Fico desanimado ao ver a crescente onda de indisciplina e nada é feito para travar tal facto. Fico abismado com o discurso de que tudo é normal. E tudo é passível de ser exigido aos professores que trabalham cada vez mais, com menos condições e mais desiludidos.
Não, nada disto é normal e benéfico para uma sociedade! Se queremos um sociedade mais justa, mais igualitária, mais harmoniosa, mais interessante, mais estável, temos que apostar seriamente na educação sem olhar a custos.
Só assim conseguiremos formar aqueles que no futuro deverão saber decidir e gerir um estado de coisas que espero ser bastante melhor do que aquele que temos agora.
Nuno Garção
Regresso ao passado... "estila" do medronho
Hoje pelas 11h00, eu e mais um grupo de amigos percorríamos a estrada com o destino a Monchique, na expectativa de descobrir o nosso Portugal mais profundo e os métodos tradicionais de produção de aguardente de medronho. Para ser sincero também esperava mais um daqueles grandes momentos de convívio, onde o que apenas interessa é estarmos. Estarmos bem uns com os outros. Obviamente que as expectativas foram superadas.
Já em Monchique, parámos no café Palmeirinha onde, enquanto esperávamos pelos atrasados e tomávamos café, providenciámos os mantimentos para um mergulho nas profundezas da Serra de Monchique.
Depois da compra de carne num talho tradicional, iniciámos a nossa segunda viagem de 14 km a uma zona que o que tinha de inóspito tinha certamente de belo. Depois de uma placa a indicar o sítio da Perna da Negra, continuámos por uma descida que contornava a serra, indo desembocar num vale onde o silêncio era preenchido pela música da natureza pura.
Chegados a Taipas, deixámos os carros junto a um pequeno aglomerado de casas e entrámos noutra época, onde o tradicional e o rural vieram ao de cima: não só no cenário, mas na forma como vivenciámos aquele momento.
Primeiro tomámos consciência de que estávamos sem rede e sem qualquer contacto com o exterior (alguns ainda procuraram rede nos pontos mais altos), mas depressa percebemos que isso nada interessava para uma tarde bem passada entre petiscos de porco preto, prova de aguardente de medronho, cantigas e desgarradas (com laivos de blues), conversas animadas e a descoberta de como se destila o medronho.
Num cenário de há 50 anos, o Sr. Zé e o Pedro foram passando para todos nós os conhecimentos desta arte. Ao longo de várias horas assistimos aos vários processos necessários para produzir aguardente de medronho e no final, como não podia deixar de ser, provámos a bebida que surgia directamente do alambique.
Como a natureza também merecia uma exploração, descemos até ao ponto mais baixo do vale para ouvirmos cantar mais de perto o som da água que serpenteava as elevações.
Quando chegámos ao rio, a natureza no seu esplendor abre os céus e faz derramar sobre nós uma enorme chuvada. De regresso à "estila" e sem pressas, pois de molhados já não passávamos, sentimos que aquele momento estava previsto e fez-nos sentir o que é estar completamente expostos à natureza. E como se fazia há muitos anos, usámos um processo tradicional para nos enxugarmos: lenha a arder dentro de casa a um canto, numa alcatifa de pedra, libertando o cheiro e uma nuvem de fumo que fez chorar os olhos menos habituados a estas coisas.
A festa continuou pela noite fora e ninguém sentiu frio, pois o calor humano era muito; sentia-se nas conversas, risadas e nas cantigas de improviso. Houve mesmo a revelação de cantores e foi gravado o inédito êxito "Na minha 4L, no mê da estrada".
Quando toda a gente já pensava que a noite estava terminada e pouco mais haveria que nos surpreendesse é chegado o momento em que aparece um grupo de músicos ingleses que se juntaram à festa e fizeram um espectáculo para todos nós. De forma mágica, entre pipas de medronho, surgem duas guitarras, um contrabaixo e um saxofone acompanhados pelos seus tocadores, emanando um som, variando entre o jazz e o rock dos anos mais remotos. O pessoal foi-se acomodando pela casa de paredes pretas de pedra e de barro e fizeram uma roda à volta dos músicos, deixando a um canto o alambique a deitar a aguardente...
Obrigado Pedro. Obrigado Sr. Zé.
Nuno Garção
Já em Monchique, parámos no café Palmeirinha onde, enquanto esperávamos pelos atrasados e tomávamos café, providenciámos os mantimentos para um mergulho nas profundezas da Serra de Monchique.
Depois da compra de carne num talho tradicional, iniciámos a nossa segunda viagem de 14 km a uma zona que o que tinha de inóspito tinha certamente de belo. Depois de uma placa a indicar o sítio da Perna da Negra, continuámos por uma descida que contornava a serra, indo desembocar num vale onde o silêncio era preenchido pela música da natureza pura.
Chegados a Taipas, deixámos os carros junto a um pequeno aglomerado de casas e entrámos noutra época, onde o tradicional e o rural vieram ao de cima: não só no cenário, mas na forma como vivenciámos aquele momento.
Primeiro tomámos consciência de que estávamos sem rede e sem qualquer contacto com o exterior (alguns ainda procuraram rede nos pontos mais altos), mas depressa percebemos que isso nada interessava para uma tarde bem passada entre petiscos de porco preto, prova de aguardente de medronho, cantigas e desgarradas (com laivos de blues), conversas animadas e a descoberta de como se destila o medronho.
Quando chegámos ao rio, a natureza no seu esplendor abre os céus e faz derramar sobre nós uma enorme chuvada. De regresso à "estila" e sem pressas, pois de molhados já não passávamos, sentimos que aquele momento estava previsto e fez-nos sentir o que é estar completamente expostos à natureza. E como se fazia há muitos anos, usámos um processo tradicional para nos enxugarmos: lenha a arder dentro de casa a um canto, numa alcatifa de pedra, libertando o cheiro e uma nuvem de fumo que fez chorar os olhos menos habituados a estas coisas.
A festa continuou pela noite fora e ninguém sentiu frio, pois o calor humano era muito; sentia-se nas conversas, risadas e nas cantigas de improviso. Houve mesmo a revelação de cantores e foi gravado o inédito êxito "Na minha 4L, no mê da estrada".
Quando toda a gente já pensava que a noite estava terminada e pouco mais haveria que nos surpreendesse é chegado o momento em que aparece um grupo de músicos ingleses que se juntaram à festa e fizeram um espectáculo para todos nós. De forma mágica, entre pipas de medronho, surgem duas guitarras, um contrabaixo e um saxofone acompanhados pelos seus tocadores, emanando um som, variando entre o jazz e o rock dos anos mais remotos. O pessoal foi-se acomodando pela casa de paredes pretas de pedra e de barro e fizeram uma roda à volta dos músicos, deixando a um canto o alambique a deitar a aguardente...
Um dia vou construir um castelo
"Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale
a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos
de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor
da própria história. É atravessar
desertos fora de si, mas ser capaz de
encontrar um oásis no recôndito da
sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios
sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma
crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir
um castelo…"
e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale
a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos
de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor
da própria história. É atravessar
desertos fora de si, mas ser capaz de
encontrar um oásis no recôndito da
sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios
sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma
crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir
um castelo…"
Fernando Pessoa
Apressa-te a viver bem
Se um homem não sabe
o que quer e para onde quer ir,
nenhum vento lhe será favorável
nas suas caminhadas.
Poderá ter tudo a seu jeito,
ser uma pessoa bafejada pela sorte,
ter o amor em seu redor,
mas se não souber dar valor,
se não souber o que fazer com tudo isso
será um viajante perdido
num deserto.
Pensando nessa caminhada
que é a vida,
o importante não está
em nos questionarmos se temos
uma vida curta,
mas sim percebermos
quanto desperdiçamos
desse tempo que temos
com momentos sem prazer
e sem aprendizagem.
E lá andamos nós,
preocupados em viver muito,
em fazer muito,
e esquecemo-nos de viver bem.
Na realidade, não depende de nós
vivermos pouco ou muito,
mas sim sabermos viver bem
com o tempo que temos.
Logo, apressa-te a viver bem
o que quer e para onde quer ir,
nenhum vento lhe será favorável
nas suas caminhadas.
Poderá ter tudo a seu jeito,
ser uma pessoa bafejada pela sorte,
ter o amor em seu redor,
mas se não souber dar valor,
se não souber o que fazer com tudo isso
será um viajante perdido
num deserto.
Pensando nessa caminhada
que é a vida,
o importante não está
em nos questionarmos se temos
uma vida curta,
mas sim percebermos
quanto desperdiçamos
desse tempo que temos
com momentos sem prazer
e sem aprendizagem.
E lá andamos nós,
preocupados em viver muito,
em fazer muito,
e esquecemo-nos de viver bem.
Na realidade, não depende de nós
vivermos pouco ou muito,
mas sim sabermos viver bem
com o tempo que temos.
Logo, apressa-te a viver bem
e pensa que cada dia,
cada momento, é,
por si só, uma vida...
... o que fazes com a tua vida.
Nuno Garção
(Inspirado nos dizeres de Séneca)
cada momento, é,
por si só, uma vida...
... o que fazes com a tua vida.
Nuno Garção
(Inspirado nos dizeres de Séneca)
Há dias assim...
.
Hoje, durante todo o dia, senti uma sensação de felicidade que fez com que chegasse a casa e sentisse a necessidade de me sentar a escrever estas palavras: sinto-me feliz por quem sou.
Sou alguém que depende dos outros, dos seus sorrisos, das suas palavras, dos seus carinhos, das suas sábias apreciações. Sou aquilo que aprendo e apreendo dos outros. Sou o resultado das reflexões que os outros provocam na minha própria natureza de ser.
Durante todo o dia fui olhando em redor e tomei consciência que sou, além de tudo, uma pessoa com sorte, por estar rodeado de pessoas que me fazem olhar a vida de forma interessante.
.
Hoje quando falei com alguém tive a preocupação de a olhar nos olhos e percebi, em primeiro lugar, que há vários tipos de olhos, todos eles bonitos, com as suas particularidades. Por outro lado, percebi que dentro de cada olhar há algo de genuíno e quero acreditar, algo de sincero e único. Há dias assim, e hoje senti que todas as pessoas que me olharam nos olhos foram verdadeiras e profundamente genuínas nas atitudes e nas palavras.
Dei um pouco mais de atenção às suas expressões, às suas palavras, e olhei a natureza humana no seu esplendor: vi o calor com que a minha mulher fala comigo, o entusiasmo com que os meus colegas de trabalho trocaram ideias comigo e a atenção e admiração com que os meus alunos me olharam. E não posso deixar de pensar na forma fácil com que consegui arrancar um sorriso apenas com um simples olhar ou com o mover dos lábios. Há dias assim.
Na verdade é como se sentisse na minha mão cada momento e tivesse consciência o quanto estava a contribuir para que essa fracção de tempo fosse envolvida por felicidade. Por outro lado, senti que não é complicado contribuir para provocar no outro essa mesma sensação de felicidade. Apenas foi necessário atenção, tempo e dedicação.
.
Agora estou só e olho pela janela. Observo a Natureza e encontro singularidade e beleza em tudo. Olho novamente aquilo que já tinha visto e verifico que na seguinte observação tenho ainda a possibilidade de descobrir algo novo e interessante naquilo que os meus olhos me dão a ver. Há sempre algo de surpreendente na segunda e na terceira vez com que observamos com atenção qualquer coisa. E o mesmo acontece se olharmos as pessoas desta forma: se as olharmos com atenção, uma, duas e três vezes, como se fosse sempre a primeira vez que as olhássemos.
.
Não posso deixar de acreditar que tudo o que existe de puro à nossa volta é belo e feito para podermos contemplar com atenção, tempo e dedicação. Estes três aspectos permitem-nos olhar as pessoas um pouco mais além dos muros que alguns erguem contra o olhar dos outros.
Se todos acreditássemos e percebêssemos quanto somos importantes se formos genuínos, sinceros e únicos, compreenderíamos o que é e o que desencadeia a felicidade.
Como gostaria que todos me olhassem como as pessoas que passaram por mim neste dia me olharam.
.
Obrigado a todos os que hoje, sem terem consciência, me proporcionaram um dia feliz.
.
Obrigado a todos os que se cruzaram comigo e fizeram desde dia normal, um dia assim.
Nuno Garção
Hoje, durante todo o dia, senti uma sensação de felicidade que fez com que chegasse a casa e sentisse a necessidade de me sentar a escrever estas palavras: sinto-me feliz por quem sou.
Sou alguém que depende dos outros, dos seus sorrisos, das suas palavras, dos seus carinhos, das suas sábias apreciações. Sou aquilo que aprendo e apreendo dos outros. Sou o resultado das reflexões que os outros provocam na minha própria natureza de ser.
Durante todo o dia fui olhando em redor e tomei consciência que sou, além de tudo, uma pessoa com sorte, por estar rodeado de pessoas que me fazem olhar a vida de forma interessante.
.
Hoje quando falei com alguém tive a preocupação de a olhar nos olhos e percebi, em primeiro lugar, que há vários tipos de olhos, todos eles bonitos, com as suas particularidades. Por outro lado, percebi que dentro de cada olhar há algo de genuíno e quero acreditar, algo de sincero e único. Há dias assim, e hoje senti que todas as pessoas que me olharam nos olhos foram verdadeiras e profundamente genuínas nas atitudes e nas palavras.
Dei um pouco mais de atenção às suas expressões, às suas palavras, e olhei a natureza humana no seu esplendor: vi o calor com que a minha mulher fala comigo, o entusiasmo com que os meus colegas de trabalho trocaram ideias comigo e a atenção e admiração com que os meus alunos me olharam. E não posso deixar de pensar na forma fácil com que consegui arrancar um sorriso apenas com um simples olhar ou com o mover dos lábios. Há dias assim.
Na verdade é como se sentisse na minha mão cada momento e tivesse consciência o quanto estava a contribuir para que essa fracção de tempo fosse envolvida por felicidade. Por outro lado, senti que não é complicado contribuir para provocar no outro essa mesma sensação de felicidade. Apenas foi necessário atenção, tempo e dedicação.
.
Agora estou só e olho pela janela. Observo a Natureza e encontro singularidade e beleza em tudo. Olho novamente aquilo que já tinha visto e verifico que na seguinte observação tenho ainda a possibilidade de descobrir algo novo e interessante naquilo que os meus olhos me dão a ver. Há sempre algo de surpreendente na segunda e na terceira vez com que observamos com atenção qualquer coisa. E o mesmo acontece se olharmos as pessoas desta forma: se as olharmos com atenção, uma, duas e três vezes, como se fosse sempre a primeira vez que as olhássemos.
.
Não posso deixar de acreditar que tudo o que existe de puro à nossa volta é belo e feito para podermos contemplar com atenção, tempo e dedicação. Estes três aspectos permitem-nos olhar as pessoas um pouco mais além dos muros que alguns erguem contra o olhar dos outros.
Se todos acreditássemos e percebêssemos quanto somos importantes se formos genuínos, sinceros e únicos, compreenderíamos o que é e o que desencadeia a felicidade.
Como gostaria que todos me olhassem como as pessoas que passaram por mim neste dia me olharam.
.
Obrigado a todos os que hoje, sem terem consciência, me proporcionaram um dia feliz.
.
Obrigado a todos os que se cruzaram comigo e fizeram desde dia normal, um dia assim.
Nuno Garção
Invictus
"Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul."
(William Ernest Henley, 1875)
(tradução)
O manto da noite que me cobre,
Negro como o poço da morte,
Agradeço a qualquer Deus que exista
Pela minha alma inquebrável.
Nas garras cruéis da circunstância
Eu não vacilei nem gritei.
Sob os golpes do acaso
Minha cabeça sangra, mas permanece erguida.
Além deste lugar de rancor e lágrimas
Somente o horror das sombras se anuncia,
E mesmo a ameaça dos anos
Encontra e encontrar-me-á, sem temor.
Não importa quanto estreito seja o portão,
Quanto repleto de castigos, o veredicto,
Eu sou o mestre do meu destino:
Eu sou o capitão da minha alma.
Encontra e encontrar-me-á, sem temor.
Não importa quanto estreito seja o portão,
Quanto repleto de castigos, o veredicto,
Eu sou o mestre do meu destino:
Eu sou o capitão da minha alma.
Subscrever:
Mensagens (Atom)













