O meu amor


"O
meu amor tem lábios de silêncio
E mão de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina.

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito.

O meu amor ensinou-me a chegar,
Sedento de ternura.
Separou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste.
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe."

Jorge Palma

Sabedoria da vida...

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"A sabedoria da vida não consiste em fazer aquilo que se gosta, mas em gostar do que se faz."

Leonardo da Vinci

Olhares de Portimão

Olhares de Portimão, através da objectiva da minha câmara.
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Batida fotográfica de Portimão 2010.
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Nuno Garção

"Sinto vergonha de mim..."

Poema com quase um século e tão actual.

"Sinto vergonha
de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
actos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo [deste mundo]!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'."


Rui Barbosa

O silêncio dos bons... preocupa-me!


"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons."


Martin Luther King

Fotos naturais da natureza


As primeiras fotos que surgiram com a máquina nova.
Demorou a vir, mas valeu a pena..

Recordando a minha aldeia: Carreiras

"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.


Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver."

Alberto Caeiro

Batida fotográfica em Alte



Nuno Garção

Mais uma vez, sobre o estado das coisas...

Durante estas últimas semanas evitei ver as notícias, porque considero que as mesmas me têm provocado algum desânimo e mau estar. Ouço falar da economia, da economia, da crise, da crise, da crise, da educação, ou da falta dela, da pobreza e da riqueza na proporção inversa, da violência, da corrupção, da falta de vergonha...

Onde está a esperança?


Enfim, pergunto-me o que se está a passar à minha volta. E com este estado de coisas confesso que às vezes me apetece ser como a avestruz. É óbvio que não consigo fechar os olhos para viver a minha vida. A recente comemoração do 25 de Abril fez-me pensar que temos que dizer, cada dia e em voz bem alta, aquilo que pensamos sobre este estado de coisas, que deveriam envergonhar governantes e pessoas com cargos de responsabilidade.

Economia. As últimas notícias apontam para a especulação e a pressão que alguns "senhores" fazem sobre os países que acumulam um volume de dívida externa elevado. Fico mesmo sem saber se são estes senhores quem devo odiar pela especulação a que nos têm ultimamente habituado ou aqueles que irresponsavelmente nos vão colocando nesta situação de dependência.

Riqueza e pobreza. Afinal, como é possível que neste jogo continuemos a ver pessoas a enriquecer de forma escandalosa enquanto que a maioria vai ficando cada vez mais pobre, sem condições para viver e sujeitas aos caprichos de quem manipula os mercados. Afinal, não será esta uma nova ditadura em que tudo parece democracia, mas na realidade é algo controlado por um "big brother" que estuda os movimentos da sociedade, se alimenta com uma ganância desmedida e com o aval da classe política que gere sem preocupação e sem respeito o que é de todos nós? Triste figura de quem enriquece à custa daqueles que vão ficando sem emprego, sem possibilidade de dar uma vida digna aos filhos e de poder desfrutar deste mundo que também é seu. Triste figura de quem não consegue olhar para o lado e perceber que se trata de um semelhante... Estou certo que cada um de nós também tem alguma culpa neste estado de coisas: não é por acaso que há dois dias fiquei escandalizado pelo facto das três pessoas que estavam à minha frente numa caixa de uma loja de uma grande superfície efectuarem as suas compras pedindo créditos. Olhei com mais atenção e reparei que uma delas o fazia para comprar bens de primeira necessidade...

A desculpa da crise. V
ejo mais algumas notícias e ouço falar em cortes, cortes na função pública e obviamente (por arrasto) nos trabalhadores do privado. Mais uma vez pergunto: Mas por que razão esses cortes são imputados aos que realmente trabalham? Não são eles que andam a pagar as sucessivas crises que nos atiram aos olhos? Mas por que razão não se corta nos ordenados escandalosos dos políticos e administradores? Alguns deles que nada fazem. Por que razão não se selecciona criteriosamente as pessoas que mexem no dinheiro dos contribuintes e com ele fazem contas de "sumir"? Por que razão os vários escândalos que vemos na televisão não levam os seus responsáveis à prisão e não fazem com que o dinheiro "sumido" volte à sua origem? Será que têm que ser os trabalhadores, aqueles que realmente põem este país e o mundo a funcionar, a pagar a factura dos que se passeiam nos "porches" e "ferraris" a caminho das suas mansões?


Educação ou falta dela. Diariamente olho para o meu mundo, para o meu trabalho, e vejo como as políticas educativas são pensadas. O importante é gastar menos, mesmo que em causa possa estar a formação futura dos jovens. Fico desanimado ao ver a crescente onda de indisciplina e nada é feito para travar tal facto. Fico abismado com o discurso de que tudo é normal. E tudo é passível de ser exigido aos professores que trabalham cada vez mais, com menos condições e mais desiludidos.
Não, nada disto é normal e benéfico para uma sociedade! Se queremos um sociedade mais justa, mais igualitária, mais harmoniosa, mais interessante, mais estável, temos que apostar seriamente na educação sem olhar a custos.
Só assim conseguiremos formar aqueles que no futuro deverão saber decidir e gerir um estado de coisas que espero ser bastante melhor do que aquele que temos agora.

Nuno Garção

Regresso ao passado... "estila" do medronho

Hoje pelas 11h00, eu e mais um grupo de amigos percorríamos a estrada com o destino a Monchique, na expectativa de descobrir o nosso Portugal mais profundo e os métodos tradicionais de produção de aguardente de medronho. Para ser sincero também esperava mais um daqueles grandes momentos de convívio, onde o que apenas interessa é estarmos. Estarmos bem uns com os outros. Obviamente que as expectativas foram superadas.
Já em Monchique, parámos no café Palmeirinha onde, enquanto esperávamos pelos atrasados e tomávamos café, providenciámos os mantimentos para um mergulho nas profundezas da Serra de Monchique.
Depois da compra de carne num talho tradicional, iniciámos a nossa segunda viagem de 14 km a uma zona que o que tinha de inóspito tinha certamente de belo. Depois de uma placa a indicar o sítio da Perna da Negra, continuámos por uma descida que contornava a serra, indo desembocar num vale onde o silêncio era preenchido pela música da natureza pura.
Chegados a Taipas, deixámos os carros junto a um pequeno aglomerado de casas e entrámos noutra época, onde o tradicional e o rural vieram ao de cima: não só no cenário, mas na forma como vivenciámos aquele momento.
Primeiro tomámos consciência de que estávamos sem rede e sem qualquer contacto com o exterior (alguns ainda procuraram rede nos pontos mais altos), mas depressa percebemos que isso nada interessava para uma tarde bem passada entre petiscos de porco preto, prova de aguardente de medronho, cantigas e desgarradas (com laivos de blues), conversas animadas e a descoberta de como se destila o medronho.



Num cenário de há 50 anos, o Sr. Zé e o Pedro foram passando para todos nós os conhecimentos desta arte. Ao longo de várias horas assistimos aos vários processos necessários para produzir aguardente de medronho e no final, como não podia deixar de ser, provámos a bebida que surgia directamente do alambique.



Como a natureza também merecia uma exploração, descemos até ao ponto mais baixo do vale para ouvirmos cantar mais de perto o som da água que serpenteava as elevações.
Quando chegámos ao rio, a natureza no seu esplendor abre os céus e faz derramar sobre nós uma enorme chuvada. De regresso à "estila" e sem pressas, pois de molhados já não passávamos, sentimos que aquele momento estava previsto e fez-nos sentir o que é estar completamente expostos à natureza. E como se fazia há muitos anos, usámos um processo tradicional para nos enxugarmos: lenha a arder dentro de casa a um canto, numa alcatifa de pedra, libertando o cheiro e uma nuvem de fumo que fez chorar os olhos menos habituados a estas coisas.
A festa continuou pela noite fora e ninguém sentiu frio, pois o calor humano era muito; sentia-se nas conversas, risadas e nas cantigas de improviso. Houve mesmo a revelação de cantores e foi gravado o inédito êxito "Na minha 4L, no mê da estrada".
Quando toda a gente já pensava que a noite estava terminada e pouco mais haveria que nos surpreendesse é chegado o momento em que aparece um grupo de músicos ingleses que se juntaram à festa e fizeram um espectáculo para todos nós. De forma mágica, entre pipas de medronho, surgem duas guitarras, um contrabaixo e um saxofone acompanhados pelos seus tocadores, emanando um som, variando entre o jazz e o rock dos anos mais remotos. O pessoal foi-se acomodando pela casa de paredes pretas de pedra e de barro e fizeram uma roda à volta dos músicos, deixando a um canto o alambique a deitar a aguardente...



Obrigado Pedro. Obrigado Sr. Zé.



Nuno Garção

Um dia vou construir um castelo

"Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale
a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos
de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor
da própria história. É atravessar
desertos fora de si, mas ser capaz de
encontrar um oásis no recôndito da
sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios
sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um "não".

É ter segurança para receber uma
crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir
um castelo…"


Fernando Pessoa

Apressa-te a viver bem

Se um homem não sabe
o que quer e para onde quer ir,
nenhum vento lhe será favorável
nas suas caminhadas.
Poderá ter tudo a seu jeito,
ser uma pessoa bafejada pela sorte,
ter o amor em seu redor,
mas se não souber dar valor,
se não souber o que fazer com tudo isso
será um viajante perdido
num deserto.

Pensando nessa caminhada
que é a vida,
o importante não está
em nos questionarmos se temos
uma vida curta,
mas sim percebermos
quanto desperdiçamos
desse tempo que temos
com momentos sem prazer
e sem aprendizagem.

E lá andamos nós,
preocupados em viver muito,
em fazer muito,
e esquecemo-nos de viver bem.
Na realidade, não depende de nós
vivermos pouco ou muito,
mas sim sabermos viver bem
com o tempo que temos.


Logo, apressa-te a viver bem

e pensa que cada dia,
cada momento, é,
por si só, uma vida...

... o que fazes com a tua vida.

Nuno Garção
(Inspirado nos dizeres de Séneca)

Há dias assim...

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Hoje, durante todo o dia, senti uma sensação de felicidade que fez com que chegasse a casa e sentisse a necessidade de me sentar a escrever estas palavras: sinto-me feliz por quem sou.
Sou alguém que depende dos outros, dos seus sorrisos, das suas palavras, dos seus carinhos, das suas sábias apreciações. Sou aquilo que aprendo e apreendo dos outros. Sou o resultado das reflexões que os outros provocam na minha própria natureza de ser.
Durante todo o dia fui olhando em redor e tomei consciência que sou, além de tudo, uma pessoa com sorte, por estar rodeado de pessoas que me fazem olhar a vida de forma interessante.
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Hoje quando falei com alguém tive a preocupação de a olhar nos olhos e percebi, em primeiro lugar, que há vários tipos de olhos, todos eles bonitos, com as suas particularidades. Por outro lado, percebi que dentro de cada olhar há algo de genuíno e quero acreditar, algo de sincero e único. Há dias assim, e hoje senti que todas as pessoas que me olharam nos olhos foram verdadeiras e profundamente genuínas nas atitudes e nas palavras.
Dei um pouco mais de atenção às suas expressões, às suas palavras, e olhei a natureza humana no seu esplendor: vi o calor com que a minha mulher fala comigo, o entusiasmo com que os meus colegas de trabalho trocaram ideias comigo e a atenção e admiração com que os meus alunos me olharam. E não posso deixar de pensar na forma fácil com que consegui arrancar um sorriso apenas com um simples olhar ou com o mover dos lábios. Há dias assim.
Na verdade é como se sentisse na minha mão cada momento e tivesse consciência o quanto estava a contribuir para que essa fracção de tempo fosse envolvida por felicidade. Por outro lado, senti que não é complicado contribuir para provocar no outro essa mesma sensação de felicidade. Apenas foi necessário atenção, tempo e dedicação.
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Agora estou só e olho pela janela. Observo a Natureza e encontro singularidade e beleza em tudo. Olho novamente aquilo que já tinha visto e verifico que na seguinte observação tenho ainda a possibilidade de descobrir algo novo e interessante naquilo que os meus olhos me dão a ver. Há sempre algo de surpreendente na segunda e na terceira vez com que observamos com atenção qualquer coisa. E o mesmo acontece se olharmos as pessoas desta forma: se as olharmos com atenção, uma, duas e três vezes, como se fosse sempre a primeira vez que as olhássemos
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Não posso deixar de acreditar que tudo o que existe de puro à nossa volta é belo e feito para podermos contemplar com atenção, tempo e dedicação. Estes três aspectos permitem-nos olhar as pessoas um pouco mais além dos muros que alguns erguem contra o olhar dos outros.
Se todos acreditássemos e percebêssemos quanto somos importantes se formos genuínos, sinceros e únicos, compreenderíamos o que é e o que desencadeia a felicidade.
Como gostaria que todos me olhassem como as pessoas que passaram por mim neste dia me olharam.
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Obrigado a todos os que hoje, sem terem consciência, me proporcionaram um dia feliz. 
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Obrigado a todos os que se cruzaram comigo e fizeram desde dia normal, um dia assim.

Nuno Garção

Invictus


"Out of the night that covers me,

Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul."

(William Ernest Henley, 1875)

(tradução)

O manto da noite que me cobre,
Negro como o poço da morte,
Agradeço a qualquer Deus que exista
Pela minha alma inquebrável.

Nas garras cruéis da circunstância
Eu não vacilei nem gritei.
Sob os golpes do acaso
Minha cabeça sangra, mas permanece erguida.

Além deste lugar de rancor e lágrimas

Somente o horror das sombras se anuncia,
E mesmo a ameaça dos anos
Encontra e encontrar-me-á, sem temor.

Não importa quanto estreito seja o portão,
Quanto repleto de castigos, o veredicto,

Eu sou o mestre do meu destino:
Eu sou o capitão da minha alma
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O que amo?


Não tenho tudo o que gostaria de ter, mas amo tudo o que tenho!

Nuno Garção

Somatório de tudo o que não perdi*


"Nunca se recupera o que se deixou fugir..." (Rosa)
"Eu sou aquilo que perdi." (Gi)

Em resposta:
Se fugiu é porque não se tinha que recuperar.
Só aquilo que é possível recuperar vale a pena.


Eu
, sou o somatório de tudo o que não perdi.
O passado preenche-nos e enriquece-nos, o presente indica-nos que estamos vivos e o futuro faz-nos sonhar.

Nuno Garção

Solidão


"Solidão não é falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo. Isso é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar. Isso é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos. Isso é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsivamente para que revejamos a nossa vida... Isso é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio da gente ao nosso lado. Isso é circunstância.
Solidão é muito mais que tudo isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão a nossa alma".

Francisco Buarque da Holanda (Chico Buarque)

Words Don't Came Easy


Hoje quando regressava a casa, ouvi na rádio uma música que me transportou para a minha pré-adolescência.
Quem não se lembra deste clássico?
Vale a pena ler a letra.



Words, don't come easy to me
How can I find a way to make you see I Love You
Words don't come easy

Words, don't come easy to me
This is the only way for me to say I Love You
Words don't come easy

Well I'm just a music man
Melody's so far my best friend
But my words are coming out wrong and I
I reveal my heart to you and
Hope that you believe it's true cause

Words, don't come easy to me
How can I find a way to make you see I love You
Words don't come easy

This is just a simple song
That I've made for you on my own
There's no hidden meaning you know when I
When I say I love you honey
Please believe I really do cause

Words, don't come easy to me
How can I find a way to make you see I Love You
Words don't come easy

It isn't easy
Words don't come easy
Words, don't come easy to me
How can I find a way to make you see I Love You
Words don't come easy

Don't come easy to me
This is the only way for me to say I Love You
Words don't come easy

F. R. David [Singles: "Words" (1981) e "Words (Edit.)" (1991)]

Natureza, impressionante!


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"O sismo de 27 de Fevereiro no Chile que matou mais de 700 pessoas terá feito os dias na Terra mais curtos – embora imperceptivelmente, apenas 1,26 milionésimos de segundo mais curtos. Mas o eixo de rotação do planeta ter-se-á deslocado cerca de oito centímetros, em resultado do abalo de magnitude 8,8 na escala de Richter. [...]
No terramoto de 9,1 na escala de Richter de Sumatra e no tsunami do Sudoeste Asiático que se lhe seguiu, a 26 de Dezembro de 2004, o dia terá diminuído 6,8 milionésimos de segundo e o eixo da Terra (o ponto imaginário em torno do qual a Terra roda sobre si própria) ter-se-á deslocado sete centímetros. [...]
E por que é que o sismo do Chile, tendo uma magnitude mais reduzida que o de Sumatra, deslocou o eixo em oito centímetros, enquanto o de Sumatra se ficou por sete? “Primeiro, o de Sumatra localizou-se perto do Equador, e o do Chile numa latitude média, o que o torna mais eficiente a desviar o eixo da Terra”, diz o comunicado da NASA que dá a conhecer os resultados de Gross. “Em segundo lugar, a falha [geológica] responsável pelo sismo de 2010 mergulha na Terra num ângulo mais agudo do que o de 2004. Isto faz com que a falha do Chile seja mais eficaz a mover a massa da Terra verticalmente e, assim, a desviar o eixo da Terra.”

http://www.publico.clix.pt (02-03-10)

Procurar o equilíbrio interior

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Hoje, mais um vez, procuro a minha harmonia interior como que uma âncora para me poder agarrar, mas olho em redor e encontro uma desordem consentida por todos.
Penso nos valores fundamentais para manter esse equilíbrio, mas vejo que na sociedade são outros os valores que vingam e fazem história. Lembro-me constantemente de coisas como a dedicação, a partilha, a sinceridade, a amizade, o respeito, a humildade, o amor, a verdade, a família, aspectos que sempre estiveram na base da minha educação, mas por outro lado encontro um mundo que transmite e promove o egoísmo, a mentira, a violência, a calúnia, o roubo, a exploração, a falta de respeito, o isolamento, ...
Procuro lembrar-me constantemente dos valores ideais e repudiar os que destroem o interior de cada um e a harmonia de todos.
Tento todos os dias passar esses ideais e formar pessoas capazes de mudar este estado de coisas, mas ao mesmo tempo vejo inúmeras acções à minha volta a desencadear a replicação de comportamentos pouco dignos para a humanidade.
Procuro um equilíbrio interno que me possa dar a lucidez para perceber o que se passa à minha volta, com as pessoas, com os políticos, com os países, com a Natureza, com o futuro da Humanidade e assusto-me.
Encontro famílias destroçadas, pessoas sem tempo para dar amor aos outros, pessoas corruptas que destroem as bases de uma sociedade, indivíduos que exploram a vida dos outros tornando-os escravos em benefício de apenas alguns, pessoas sem emprego e forma de ganhar dinheiro para as suas necessidades básicas enquanto outras acumulam somas extraordinárias sem fazer nada, crianças sozinhas e perdidas entre discussões e horas de televisão a ver programas medíocres e para adultos...
Paro e procuro novamente alento, força para gritar para dentro de mim: é necessário mudar isto; é necessário romper com esta dormência egoísta que não nos leva a lado nenhum enquanto um todo.
É preciso reorientar as prioridades das pessoas e mostrar-lhes que a felicidade e a alegria são possíveis para todos e conseguem-se com coisas simples, começando pela partilha e o amor.
Vejo que não é fácil.... A poeira que se levanta envolve-nos como um manto falsamente quente e fofo que nos impede de ver realmente, agitada por alguns adeptos da desordem e do egoísmo. E vamos ficando imóveis e passivos.
Procuro a minha harmonia interior como que uma âncora para me poder agarrar e consigo encontrá-la após esta breve reflexão. Compreendo que esse equilíbrio interno toma forma acreditando que todos os dias posso fazer um pouco para mudar o que está à minha volta e evitar entrar no sonambulismo em que se encontra a sociedade.
Os últimos acontecimentos dão-me força ao verificar que ainda existe solidariedade, ainda que seja apenas na desgraça e não no dia-a-dia. Quero acreditar que essa solidariedade é verdadeira e real e que se pode generalizar a todos aqueles que sofrem em silêncio e são vítimas deste estado de coisas.
Volto novamente à minha vida na esperança que o amanhã seja diferente.

Nuno Garção