Invictus


"Out of the night that covers me,

Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul."

(William Ernest Henley, 1875)

(tradução)

O manto da noite que me cobre,
Negro como o poço da morte,
Agradeço a qualquer Deus que exista
Pela minha alma inquebrável.

Nas garras cruéis da circunstância
Eu não vacilei nem gritei.
Sob os golpes do acaso
Minha cabeça sangra, mas permanece erguida.

Além deste lugar de rancor e lágrimas

Somente o horror das sombras se anuncia,
E mesmo a ameaça dos anos
Encontra e encontrar-me-á, sem temor.

Não importa quanto estreito seja o portão,
Quanto repleto de castigos, o veredicto,

Eu sou o mestre do meu destino:
Eu sou o capitão da minha alma
.

O que amo?


Não tenho tudo o que gostaria de ter, mas amo tudo o que tenho!

Nuno Garção

Somatório de tudo o que não perdi*


"Nunca se recupera o que se deixou fugir..." (Rosa)
"Eu sou aquilo que perdi." (Gi)

Em resposta:
Se fugiu é porque não se tinha que recuperar.
Só aquilo que é possível recuperar vale a pena.


Eu
, sou o somatório de tudo o que não perdi.
O passado preenche-nos e enriquece-nos, o presente indica-nos que estamos vivos e o futuro faz-nos sonhar.

Nuno Garção

Solidão


"Solidão não é falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo. Isso é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar. Isso é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos. Isso é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsivamente para que revejamos a nossa vida... Isso é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio da gente ao nosso lado. Isso é circunstância.
Solidão é muito mais que tudo isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão a nossa alma".

Francisco Buarque da Holanda (Chico Buarque)

Words Don't Came Easy


Hoje quando regressava a casa, ouvi na rádio uma música que me transportou para a minha pré-adolescência.
Quem não se lembra deste clássico?
Vale a pena ler a letra.



Words, don't come easy to me
How can I find a way to make you see I Love You
Words don't come easy

Words, don't come easy to me
This is the only way for me to say I Love You
Words don't come easy

Well I'm just a music man
Melody's so far my best friend
But my words are coming out wrong and I
I reveal my heart to you and
Hope that you believe it's true cause

Words, don't come easy to me
How can I find a way to make you see I love You
Words don't come easy

This is just a simple song
That I've made for you on my own
There's no hidden meaning you know when I
When I say I love you honey
Please believe I really do cause

Words, don't come easy to me
How can I find a way to make you see I Love You
Words don't come easy

It isn't easy
Words don't come easy
Words, don't come easy to me
How can I find a way to make you see I Love You
Words don't come easy

Don't come easy to me
This is the only way for me to say I Love You
Words don't come easy

F. R. David [Singles: "Words" (1981) e "Words (Edit.)" (1991)]

Natureza, impressionante!


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"O sismo de 27 de Fevereiro no Chile que matou mais de 700 pessoas terá feito os dias na Terra mais curtos – embora imperceptivelmente, apenas 1,26 milionésimos de segundo mais curtos. Mas o eixo de rotação do planeta ter-se-á deslocado cerca de oito centímetros, em resultado do abalo de magnitude 8,8 na escala de Richter. [...]
No terramoto de 9,1 na escala de Richter de Sumatra e no tsunami do Sudoeste Asiático que se lhe seguiu, a 26 de Dezembro de 2004, o dia terá diminuído 6,8 milionésimos de segundo e o eixo da Terra (o ponto imaginário em torno do qual a Terra roda sobre si própria) ter-se-á deslocado sete centímetros. [...]
E por que é que o sismo do Chile, tendo uma magnitude mais reduzida que o de Sumatra, deslocou o eixo em oito centímetros, enquanto o de Sumatra se ficou por sete? “Primeiro, o de Sumatra localizou-se perto do Equador, e o do Chile numa latitude média, o que o torna mais eficiente a desviar o eixo da Terra”, diz o comunicado da NASA que dá a conhecer os resultados de Gross. “Em segundo lugar, a falha [geológica] responsável pelo sismo de 2010 mergulha na Terra num ângulo mais agudo do que o de 2004. Isto faz com que a falha do Chile seja mais eficaz a mover a massa da Terra verticalmente e, assim, a desviar o eixo da Terra.”

http://www.publico.clix.pt (02-03-10)

Procurar o equilíbrio interior

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Hoje, mais um vez, procuro a minha harmonia interior como que uma âncora para me poder agarrar, mas olho em redor e encontro uma desordem consentida por todos.
Penso nos valores fundamentais para manter esse equilíbrio, mas vejo que na sociedade são outros os valores que vingam e fazem história. Lembro-me constantemente de coisas como a dedicação, a partilha, a sinceridade, a amizade, o respeito, a humildade, o amor, a verdade, a família, aspectos que sempre estiveram na base da minha educação, mas por outro lado encontro um mundo que transmite e promove o egoísmo, a mentira, a violência, a calúnia, o roubo, a exploração, a falta de respeito, o isolamento, ...
Procuro lembrar-me constantemente dos valores ideais e repudiar os que destroem o interior de cada um e a harmonia de todos.
Tento todos os dias passar esses ideais e formar pessoas capazes de mudar este estado de coisas, mas ao mesmo tempo vejo inúmeras acções à minha volta a desencadear a replicação de comportamentos pouco dignos para a humanidade.
Procuro um equilíbrio interno que me possa dar a lucidez para perceber o que se passa à minha volta, com as pessoas, com os políticos, com os países, com a Natureza, com o futuro da Humanidade e assusto-me.
Encontro famílias destroçadas, pessoas sem tempo para dar amor aos outros, pessoas corruptas que destroem as bases de uma sociedade, indivíduos que exploram a vida dos outros tornando-os escravos em benefício de apenas alguns, pessoas sem emprego e forma de ganhar dinheiro para as suas necessidades básicas enquanto outras acumulam somas extraordinárias sem fazer nada, crianças sozinhas e perdidas entre discussões e horas de televisão a ver programas medíocres e para adultos...
Paro e procuro novamente alento, força para gritar para dentro de mim: é necessário mudar isto; é necessário romper com esta dormência egoísta que não nos leva a lado nenhum enquanto um todo.
É preciso reorientar as prioridades das pessoas e mostrar-lhes que a felicidade e a alegria são possíveis para todos e conseguem-se com coisas simples, começando pela partilha e o amor.
Vejo que não é fácil.... A poeira que se levanta envolve-nos como um manto falsamente quente e fofo que nos impede de ver realmente, agitada por alguns adeptos da desordem e do egoísmo. E vamos ficando imóveis e passivos.
Procuro a minha harmonia interior como que uma âncora para me poder agarrar e consigo encontrá-la após esta breve reflexão. Compreendo que esse equilíbrio interno toma forma acreditando que todos os dias posso fazer um pouco para mudar o que está à minha volta e evitar entrar no sonambulismo em que se encontra a sociedade.
Os últimos acontecimentos dão-me força ao verificar que ainda existe solidariedade, ainda que seja apenas na desgraça e não no dia-a-dia. Quero acreditar que essa solidariedade é verdadeira e real e que se pode generalizar a todos aqueles que sofrem em silêncio e são vítimas deste estado de coisas.
Volto novamente à minha vida na esperança que o amanhã seja diferente.

Nuno Garção

BTT

De volta ao meu desporto favorito.
Obrigado, amigo Adriano.
Neste fim-de-semana o tempo não ajudou, mas para o próximo voltamos à carga.

Decisões


"Tudo na vida, mas tudo mesmo, depende de uma ideia inteligente e de uma decisão firme."

Goëthe

Educação das sensibilidades


"A primeira tarefa da educação é ens
inar a ver...
É através dos olhos que as crianças tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo...
Os olhos têm de ser educados para que nossa alegria aumente.

A educação se divide em duas partes:
educação das habilidades e educação das sensibilidades...
Sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido.

Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver.
Quero ensinar as crianças. Elas ainda têm olhos encantados.
Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento:
...a capacidade de se assombrar diante do banal.
Para as crianças, tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o vôo dos urubus, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra.
Coisas que os eruditos não vêem.

Na escola eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomias, nomes latinos – mas esqueci.
Mas nenhum professor jamais chamou a minha atenção para a beleza de uma árvore...
...ou para o curioso das simetrias das folhas.
Parece que, naquele tempo, as escolas estavam mais preocupadas em fazer com que os alunos decorassem palavras que com a realidade para a qual elas apontam.
As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor.
Aprendemos palavras para melhorar os olhos.
O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem...

Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece refletido dentro da gente.

São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver. Elas não têm saberes a transmitir. No entanto, elas sabem o essencial da vida.
Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança jamais será sábio."
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Rubem Alves

Passar pela vida

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"Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu:
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu."
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Francisco Octaviano

Cidade - entidade colectiva formada por organismos vivos


"Diante de nós desenham-se os contornos da cidade.

Através dos olhos de uma ave nocturna que voa alto no céu, observamos a paisagem urbana. Dessa perspectiva alargada que se oferece ao nosso olhar, a cidade tem o aspecto de uma gigantesca criatura - ou, melhor dizendo, de um única entidade colectiva formada por organismos vivos. As numerosas artérias que se estendem até às extremidades desse corpo esquivo permitem que o sangue circule continuamente e chegue a todas as células, enviando novas informações e reciclando as antigas, dando origem a novos bens e recuperando os antigos. Criam-se novas contradições, recuperam-se velhas contradições. As partes do seu corpo cintilam, incendeiam-se e oscilam ao ritmo do bater do coração. Aproxima-se a meia-noite, o ponto alto da sua actividade já passou mas o metabolismo vital que assegura a vida continua a trabalhar incessantemente, produzindo o basso contínuo que reproduz mormúrios da cidade, um som monótono, sem altos nem baixos, se bem que prenhe de pressentimentos."
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Haruki Murakami (After Dark - Os Passageiros da Noite)

Em 2010, ...Sê!

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"Se não puderes ser um pinheiro no topo da colina
sê um arbusto no vale – mas sê o melhor arbusto
na margem de um regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
e dá alegria a um caminho.
Se não puderes ser almíscar, sê então apenas uma tília
mas a tília mais viva do lago.
Não podemos ser todos capitães,
temos de ser tripulação.
Há alguma coisa para todos nós aqui. [...]
Se não puderes ser uma estrada,
sê apenas uma senda.
Se não puderes ser sol, sê uma estrela.
Sê simples, límpido.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso
mas sê melhor do que o que quer que sejas!
 
Pablo Neruda
(Foto: Mintegui)

Os amigos


Este ano fiz novos amigos e não foram só novos, foram bons amigos: simpáticos, honestos e verdadeiros.


Esses amigos tornam-se especialmente importantes quando estamos num ambiente novo e conseguimos criar ligações fortes em pouco tempo, numa sociedade onde o forte se deixa constantemente sobrepor pelo superficial.
Mas ainda há pessoas profundas, carinhosas, divertidas e lindas. Às vezes não são preciso palavras, basta os olhares, as atitudes e os comportamentos para o sabermos.

Há um ano decidi vir para o Algarve neste nova aventura pessoal: hoje posso dizer que não me arrependo e vocês todos contribuíram para isso.
E é por isso que estou a escrever esta mensagem. Para vos desejar um Natal muito especial selado por um beijo quente (para os rapazes um abraço; nada de confusões Alexandre).
Que o ano de 2010 nos reserve experiências loucas e belas e que façam parte das nossas recordações, como o momento final do jantar de Natal.

Nuno Garção

Alegria

Alegria
Como
um raio de vida
Alegria
Como um louco a gritar
Alegria
De um delituoso grito
De uma triste pena, serena
Como uma fúria de amar
Alegria
Como uma explosão de júbilo

Alegria
Eu vi uma faísca da vida brilhando
Alegria
Eu ouço um jovem menestrel cantando
Alegria
O grito bonito
Um rugir de sofrimento e de felicidade
Tão extremo...
Um amor furioso dentro de mim,
Alegria
Um feliz e mágico sentimento.

Alegria
Como um raio de vida
Alegria
Como um palhaço a gritar
Alegria
De um delituoso grito
De uma triste pena, serena
Como uma fúria de amar
Alegria
Como um assalto de felicidade

De um delituoso grito
De uma triste pena, serena
Como uma fúria de amar
Alegria
Como um assalto de felicidade.

Alegria
Como a luz da vida
Alegria
Como um palhaço que grita
Alegria
De um estupendo grito
De uma tristeza louca, serena
Como uma raiva de amar
Alegria
Como um assalto de felicidade

De um estupendo grito
De uma tristeza louca, será
Como uma raiva de amar
Alegria
Como um assalto de felicidade

Tão extremo
Um amor furioso em mim
Alegria
Um feliz e mágico sentimentos

Cirque du soleil

As crianças


As crianças são o que existe de mais valioso:
Apresentam-se como um símbolo de vida.
Representam a esperança de um mundo melhor.
Sorriem como ninguém.
Demonstram uma sinceridade única e invejável.
Consomem de forma saudável a atenção e o tempo dos adultos.
Enchem a vida e o coração de quem as rodeiam.
Manifestam uma curiosidade desmedida.
E acreditam que tudo é possível.

Henrique... que saibas ser sempre uma criança.
.
Nuno Garção